Bilhete na agenda

Vinte e cinco anos depois da escola, recebi meu primeiro bilhetinho na agenda.
Dizia assim: “Mamãe, sua filha não está se comportando muito bem – a senhora tem
ciência do comportamento de sua filha? – Ela diz que me ama, diz que sente que me conhece de outras vidas. Manda-me milhões de mensagens carinhosas. Deseja-me
o bem todos os dias e, poxa, estou me sentido perseguido com tanto amor. Por favor, Mamãe, ajude-me, pois sua filha passou de todos os limites – ela me ama…”
O primeiro bilhetinho na agenda merece ser comemorado!
Cheers!

G.

Caminho nas linhas

A mulher me disse que
na palma de minhas mãos
estava a linha da vida, a
linha do destino, a linha
da minha genética, a linha.
Eu olhei para a mulher e
a escutei dizer que o tempo
é o senhor da razão, que no meio
de tantas linhas pode haver um
encontro, que no meio de um
encontro pode haver um afeto,
que no meio de um afeto pode
haver um amor, que no meio de
um amor sempre há um perdão…
A mulher me falou de esperanças.
Eu sou uma mulher
e caminho nas linhas
da esperança.

G.

Jasmim e Mel de Kamadeva

[Este é um dos poemas que estará na “Antologia Poética Alma e Coração – Volume II”]

Como se estivéssemos perdidos,
nos encontramos e nos reconhecemos
pela luz de nossas auras azuis, quase roxas,
e pelo profundo olhar de nossas palavras
trocadas com sensibilidade e sintonia de mistério.
Será que fomos escolhidos pelos anjos luminosos
que cuidam dos bosques de flores de jasmim,
que nascem pontualmente na lua rosa do fim
de abril de uma quarta-feira?
Parece brincadeira que o meu amor mais verdadeiro
tenha aflorado assim, de noite, de longe, por dentro
desse sonho quase profético, na casa-coração de
uma mulher verde, que reside em mim.
Sofremos juntos da mesma eloquência e doçura
que nos salva e nos sufoca.
Vivemos em comunhão essa busca incessante pelo
conhecimento de um amor antigo, maior que nós,
imenso no mundo, nos olhos de Deus.
Em proporções divididas, enxergamos os
Céus de Santa Clara, que nos protegem em
nossas sincronicidades coincidentes e redundantes.
Já viajamos juntos, fora do corpo, em luz astral.
Já estivemos conectados em outras redes,
em outros planos.
Será que estou tão errada por sentir o gosto do
mel de abelhas e a fragrância delicada das cinco
flores do arco e flecha de Kamadeva?
Fico esperando a tua permissão para sentir o
que sinto, mas não tenho prudência para experimentar
sentimentos tão à flor da pele, porque brotam pelos poros
tão gratuitamente, nesse mundo de afetos
tão capitalizados.
Sentimos nossas distâncias tão presentes…
Desculpe-me por minha limitação em não entender
nossos desencontros, e, por insistir em te lembrar –
que te amo – com a suavidade de um elefante colorido,
que transita, discretamente, pelas ruas de Jaipur…
Na verdade, só comecei a escrever estas palavras
para saber se nos encontraremos, ainda, nesta existência,
debaixo daquele sol que ilumina a capa do teu livro,
e, que me trouxe a libélula azul, com as asas cintilantes
mais linda que já vi, só para me dizer que a vida é boa
e merece o nosso Amor.
Na dúvida, minha e tua, escolhi Amar sem retorno
(teu e do mundo).
Eu pensei em escrever fim, mas este é só o início.

Infinitivos Infinitos

Os caminhos desta vida
ladrilhados por pedras irregulares
desequilibram nossos pés
e nos deixam com os pesares

Nos passos dos ladrilhos
os caminhos escurecem
ficamos, assim, perdidos
em ruelas do agreste

Nas secas destes caminhos
vemos vidas Severinas e
quando olhamos para nós
nessa vida peregrina
percebemos que somos sós
em busca de nossos destinos

Continuamos a andar
nossas buscas procurar
os ladrilhos consertar
os caminhos a trilhar
nesses verbos
infinitivos infinitos.

G.