Voraz

Não sou capaz de
digerir silêncio
pausa
inconstância

um
dois
três

dias de fome…

…minha alma voraz
me engole na entrada
antes do prato principal.

Recuso a sobremesa.

G.

@g.so.g

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Mania esquisita
de ser só
insiste
persiste
me dá um nó
cego
de
impossibilidades
que torno real.

G.

Meu Clarão

MEU CLARÃO

Só consegui escrever este poema
hoje, depois de um tempo te vendo
distante, porque desde o primeiro
dia em que escreveste – Oh! – já senti que
não era só uma interjeição virtual e
que deste simples – Oh! – nasceria
algo mais do que apenas uma poesia
lida às pressas por ti e escrita com
calma por mim enquanto eu olhava
para a tua foto e enxergava uma luz
bonita que te envolvia e em mim
refletia a primeira camada de tua
aura fulgurante – Oh! Será que sabes
quanta luz há em teus olhos de menino,
meu clarão?

G.

Para, Mala!

Ser educado e utilizar palavras suaves não te torna um homem menos machista, Moço. Tentar me explicar a diferença de fortalecimento para empoderamento, como se eu não tivesse capacidade de compreensão do que falo e escrevo é um dos motivos pelos quais FALO e ESCREVO sobre isto. Se eu sou casada ou não, se já fui, quantos relacionamentos eu tive, se gosto de homem ou de mulher, todas essas perguntinhas não vão me desestabilizar e fazer com que eu te engula goela abaixo – tu e toda essa tua chatice que não cabe em ti e transborda nos outros.
Estou cansada do teu cerco, da tua gentileza forçada e de todas essas besteiras que tu achas que sabe sobre mulheres. Cara, se liga, tu és um puta dum chato e, sim, eu vou escrever sobre isso e desabafar e compartilhar essas palavras duras com todos vocês, por que, poxa, cansei! Estou exausta de embustes sentimentais, estelionatários emocionais e homens que sufocam com falsidade. Para de tentar impressionar, para de falar que leu se não leu, para de tentar ser interessante, porque isso só te torna uma MALA. PARA!

G.

Túneis de mim

Meu coração vive
em desalinho com
as estradas que
tenho percorrido
durante anos de
buscas sem sentido
por títulos infinitos
que só esvaziam e nada
preenchem.
Meu coração é a minha
estrada, não fui feita
para andar em linha reta
num sentido só, respeitando
a sinalização externa.

Meus sinais, meus freios,
meus limites são interiores.
Ultrapasso-me, mas não me
desrespeito…

Vivo entre os túneis de mim
nos meus subterrâneos
de eremita.

G.

Confissões Ficcionais – ou não.

E seu eu te contasse que mandei
uma mensagem para a mãe do Escritor
confessando meu amor mais puro por ele
e pedindo perdão por tê-lo magoado, tu
me julgarias insana?
É.
A verdade é que eu mandei sim uma mensagem
para a pessoa mais linda da vida do Escritor
só para agradecer pela sua existência, pelo
homem lindo que ele é… E ainda lamentei
tamanha indisponibilidade para amar que há
dentro daquele coração literário.

Faço coisas inacreditáveis, eu sei.

Depois, tu vais aparecer aqui e me perguntar
se isso é verdade, se eu fiz isso mesmo e se
existe este tal Escritor na minha vida e vai
sair por aí a falar que invento histórias ou
que sofro de amores…
E
eu
nunca vou viver
tudo o que escrevi
a não ser por aqui,
por entre frases e letras.

G.