Catarina quase Platônica

[Um platonismo nada virtuoso].

Posso, Eu, idealizar a estupidez
amar o escapismo
encantar-me com a grosseria
sonhar com o desafio de amar
o imperfeito e sublimar a tua
amargura que tanto pede cura?

Posso, Eu, querer-te assim
endurecido
bruto, cru, nu
cheio de si – uma unicidade humana
que pede compreensão?

Posso, Eu, ser humano sensível
à flor da pele
querer-te arrogante
autoritário e melindroso
um Petruchio tropical
um caipira animal?

Posso!
Nenhuma filosofia, literatura
ou caricatura me cegam à tua
verdade.
Estaria, Eu, ser humano
delicado, a perder o tino
ao amar-te?

Sinto vontade de te domar
numa doma racional
amansar-te sem força pela
suavidade de minha voz numa
espécie de comunicação não
violenta equina.

Eu, Catarina quase  platônica,
não desistirei de te curar
fui domada pela vida para
um dia te encontrar e nada
neste mundo é capaz de frear
a minha insistente capacidade
de amar.

G.

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