Enlouqueci o Escritor

De fato…

…Eu enlouqueci o Escritor
ao ponto de receber um
pedido sofrido e implorado
para desaparecer de sua vida,
sumir, evaporar.
Eu enlouqueci o Escritor de
tanto amor. Ele, homem só,
sentiu pavor dos sentimentos
que agora o habitavam…
Como escrever assim tão cheio
de ti? Foi deste jeito que o
Escritor enlouqueceu.
Eu juro pra vocês que Eu não
fiz nada demais. Juro! Eu só
abria a janelinha de conversa
das redes sociais, pelo menos
três vezes ao dia, para dizer
a ele que o amava.

Era tanto amor
que tinha dentro de mim,
e ainda tem,
que eu transbordava em palavras
virtuais…
É. Alguns virão aqui me dizer que não é
amor é paixão and so fort. É amor, quem
sente sou Eu e se digo que é amor é
porque é AMOR!

Coitado do Escritor, ficou louco e
saiu por aí a caminhar sem rumo.
Bloqueou-me de todas as redes sociais
numa tentativa ineficaz de me impedir
de ler os seus textos. Quanta tolice!
Quem disse que eu preciso das tuas
palavras, se já li toda a tua alma?
Ainda é amor.

G.

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Pare!

Pare de pensar que o mundo
conspira contra ti.
Pare de enxergar o outro como
teu perseguidor, inimigo,
“Stalker”, julgador.
Pare de fugir do afeto que te ofertam.
Pare de fingir que não sente,
porque teus olhos
não mentem
e tua voz,
doce deleite,
te denúncia sensível,
homem bonito,
cheio de luz.

Pare!

Pare de segurar essa vontade de amar
e caminhe em direção ao encontro com
a vida, confiante de que
a tua sabedoria interior
te permite dar e receber amor,
ajuda, proteção, generosidade,
bondade e compassividade
com todos os que cruzam
o teu caminho.
Não espere o tempo passar
para buscar os olhos do teu irmão
e os abraços de tua mãe
e, se possível,
estenda estas mesmas ações
aos teus semelhantes
que esperam pela tua compaixão,
pois são donos da mesma
imperfeição que habita a
tua condição demasiadamente
humana.

G.

Raízes da Dor

Eu queria arrancar
todas estas raízes
que plantaste
e
vingaram profundamente
dentro de mim
invadindo todos os espaços
ocupando meu coração,
sufocando os meus pulmões,
preenchendo a boca do meu
estômago de fúria,
metade amor, metade dor…

Ainda não sei te dizer
o que mais dói: arrancar-te
daqui ou deixar-te invadir
até alcançar as minhas artérias.

Ainda não sei de que forma tu
conseguiste sumir e ao mesmo
tempo ainda estar aqui crescendo,
crescendo, crescendo…
e eu morrendo
não me rendo
de tanto amor
que há em mim.

As raízes profundas
que sustentam a envergadura
são as mesmas que causam a
rachadura
no esteio
onde eu
coloco
os meus pés.

G.

Sem fim

Por que vieste me roubar num
dia de janeiro solitário em
que eu me encontrava em paz com
meus livros, incensos, xícara de
café, Evangelho e silêncio?

Desde este dia não pertenço mais
ao meu Eu, nem Eu sou, nem Eu
sei onde estou, não sei nem para
onde vou. Por que me assaltaste
assim tirando de mim aquilo que
sempre foi somente meu?

Nunca dei meu coração.
Nunca abri a minha emoção.
Nunca senti tanta comoção.
Nunca vivi uma alucinação.
Nunca fiz declaração de amor…

…antes de tu me roubares de mim.

Só compreendi o que é o amor
depois de ti.
Por favor,
devolva-me,
mas não estabeleça
um
fim.

G.

1964 de 2019

Eu nunca escondi que estava
a te analisar
eu nunca menti ao te poetizar
eu nunca escrevi sem o teu autorizar.
Agora, não me venha com censura!

1964 de 2019 afetou teu juízo, de certo?

Tenho a licença poética da vida, dos
meus sentimentos, do meu mundo
subjetivo e, inclusive, a tua num
“print” inquestionável de um pedido
claro: – Poetisa, quando vais me
transformar em palavras novamente?
A minha resposta foi inequívoca, eu
te disse que brevemente te colocaria
na linha e nas linhas
e
tu aceitaste com
um “Claro!”.

Tu me erotizaste em todos os teus textos,
por que não posso eu te transformar em
poesia?
Talvez, porque eu seja mulher e mulher
não pode gritar, precisa da delicadeza
da flor de seda e do silêncio a lhe abafar.

Escrevo. Continuarei a escrever. Nada me
impede de sonhar, imaginar e amar.
Nada nem ninguém conseguirá cortar
minhas asas.
Posso voar até de paraquedas,
mas não finco meus pés no chão.

G.

PALMEIRA

Tentaram cortá-la aos quatro anos,
ainda era uma mudinha, mas as
raízes eram fortes. Arranhou-se.
As cicatrizes apareceram aos
dezoito. Cresceu. Temporais
vieram, raios estremeceram,
chuvas, vendavais, tornados,
fenômenos naturais. O ser humano
a tentar lhe descascar, puxa folha
por folha até sangrar. Não sangra
por fora, estanca por dentro. Resiste.
Resiste ainda para além dos trinta.
Copas verdes com pés fincados
no solo. Estratégia de Palmeira
para sobreviver com um coração
íntegro a forjar sua solidez.

G.

Faltas…

Como é triste ler os clássicos, engolir eruditismos e depois vomitar somente o escatológico de um pequeno detalhe de uma grande obra ou de um grande Autor. Como é feio não ter humildade nesta vida para reconhecer que sempre é tempo de aprender e que ensinar também faz parte do processo. Como é comovente ver um ser humano dolorido coberto de defesas que mais expõem do que protegem. Como é hilariante ver quem não se conhece tentando conhecer o outro. Como é melindrosa a visão da arrogância universitária quase juvenil do ser humano tresloucado.  Um ser humano perdido em si, que não reconhece a sua própria condição humana, é certamente o objeto que merece o meu amor mais puro, o perdão mais bonito, o sorriso mais leve, o abraço mais carinhoso, o bom dia mais afetuoso, e as minhas melhores preces de luz.

– Nunca te passou pela cabeça que toda esta confusão em que te encontras é só falta de amor?

G.