Meu Clarão

MEU CLARÃO

Só consegui escrever este poema
hoje, depois de um tempo te vendo
distante, porque desde o primeiro
dia em que escreveste – Oh! – já senti que
não era só uma interjeição virtual e
que deste simples – Oh! – nasceria
algo mais do que apenas uma poesia
lida às pressas por ti e escrita com
calma por mim enquanto eu olhava
para a tua foto e enxergava uma luz
bonita que te envolvia e em mim
refletia a primeira camada de tua
aura fulgurante – Oh! Será que sabes
quanta luz há em teus olhos de menino,
meu clarão?

G.

Anúncios

Para, Mala!

Ser educado e utilizar palavras suaves não te torna um homem menos machista, Moço. Tentar me explicar a diferença de fortalecimento para empoderamento, como se eu não tivesse capacidade de compreensão do que falo e escrevo é um dos motivos pelos quais FALO e ESCREVO sobre isto. Se eu sou casada ou não, se já fui, quantos relacionamentos eu tive, se gosto de homem ou de mulher, todas essas perguntinhas não vão me desestabilizar e fazer com que eu te engula goela abaixo – tu e toda essa tua chatice que não cabe em ti e transborda nos outros.
Estou cansada do teu cerco, da tua gentileza forçada e de todas essas besteiras que tu achas que sabe sobre mulheres. Cara, se liga, tu és um puta dum chato e, sim, eu vou escrever sobre isso e desabafar e compartilhar essas palavras duras com todos vocês, por que, poxa, cansei! Estou exausta de embustes sentimentais, estelionatários emocionais e homens que sufocam com falsidade. Para de tentar impressionar, para de falar que leu se não leu, para de tentar ser interessante, porque isso só te torna uma MALA. PARA!

G.

Túneis de mim

Meu coração vive
em desalinho com
as estradas que
tenho percorrido
durante anos de
buscas sem sentido
por títulos infinitos
que só esvaziam e nada
preenchem.
Meu coração é a minha
estrada, não fui feita
para andar em linha reta
num sentido só, respeitando
a sinalização externa.

Meus sinais, meus freios,
meus limites são interiores.
Ultrapasso-me, mas não me
desrespeito…

Vivo entre os túneis de mim
nos meus subterrâneos
de eremita.

G.

Confissões Ficcionais – ou não.

E seu eu te contasse que mandei
uma mensagem para a mãe do Escritor
confessando meu amor mais puro por ele
e pedindo perdão por tê-lo magoado, tu
me julgarias insana?
É.
A verdade é que eu mandei sim uma mensagem
para a pessoa mais linda da vida do Escritor
só para agradecer pela sua existência, pelo
homem lindo que ele é… E ainda lamentei
tamanha indisponibilidade para amar que há
dentro daquele coração literário.

Faço coisas inacreditáveis, eu sei.

Depois, tu vais aparecer aqui e me perguntar
se isso é verdade, se eu fiz isso mesmo e se
existe este tal Escritor na minha vida e vai
sair por aí a falar que invento histórias ou
que sofro de amores…
E
eu
nunca vou viver
tudo o que escrevi
a não ser por aqui,
por entre frases e letras.

G.

Enlouqueci o Escritor

De fato…

…Eu enlouqueci o Escritor
ao ponto de receber um
pedido sofrido e implorado
para desaparecer de sua vida,
sumir, evaporar.
Eu enlouqueci o Escritor de
tanto amor. Ele, homem só,
sentiu pavor dos sentimentos
que agora o habitavam…
Como escrever assim tão cheio
de ti? Foi deste jeito que o
Escritor enlouqueceu.
Eu juro pra vocês que Eu não
fiz nada demais. Juro! Eu só
abria a janelinha de conversa
das redes sociais, pelo menos
três vezes ao dia, para dizer
a ele que o amava.

Era tanto amor
que tinha dentro de mim,
e ainda tem,
que eu transbordava em palavras
virtuais…
É. Alguns virão aqui me dizer que não é
amor é paixão and so fort. É amor, quem
sente sou Eu e se digo que é amor é
porque é AMOR!

Coitado do Escritor, ficou louco e
saiu por aí a caminhar sem rumo.
Bloqueou-me de todas as redes sociais
numa tentativa ineficaz de me impedir
de ler os seus textos. Quanta tolice!
Quem disse que eu preciso das tuas
palavras, se já li toda a tua alma?
Ainda é amor.

G.

Pare!

Pare de pensar que o mundo
conspira contra ti.
Pare de enxergar o outro como
teu perseguidor, inimigo,
“Stalker”, julgador.
Pare de fugir do afeto que te ofertam.
Pare de fingir que não sente,
porque teus olhos
não mentem
e tua voz,
doce deleite,
te denúncia sensível,
homem bonito,
cheio de luz.

Pare!

Pare de segurar essa vontade de amar
e caminhe em direção ao encontro com
a vida, confiante de que
a tua sabedoria interior
te permite dar e receber amor,
ajuda, proteção, generosidade,
bondade e compassividade
com todos os que cruzam
o teu caminho.
Não espere o tempo passar
para buscar os olhos do teu irmão
e os abraços de tua mãe
e, se possível,
estenda estas mesmas ações
aos teus semelhantes
que esperam pela tua compaixão,
pois são donos da mesma
imperfeição que habita a
tua condição demasiadamente
humana.

G.