PALMEIRA

Tentaram cortá-la aos quatro anos,
ainda era uma mudinha, mas as
raízes eram fortes. Arranhou-se.
As cicatrizes apareceram aos
dezoito. Cresceu. Temporais
vieram, raios estremeceram,
chuvas, vendavais, tornados,
fenômenos naturais. O ser humano
a tentar lhe descascar, puxa folha
por folha até sangrar. Não sangra
por fora, estanca por dentro. Resiste.
Resiste ainda para além dos trinta.
Copas verdes com pés fincados
no solo. Estratégia de Palmeira
para sobreviver com um coração
íntegro a forjar sua solidez.

G.

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Faltas…

Como é triste ler os clássicos, engolir eruditismos e depois vomitar somente o escatológico de um pequeno detalhe de uma grande obra ou de um grande Autor. Como é feio não ter humildade nesta vida para reconhecer que sempre é tempo de aprender e que ensinar também faz parte do processo. Como é comovente ver um ser humano dolorido coberto de defesas que mais expõem do que protegem. Como é hilariante ver quem não se conhece tentando conhecer o outro. Como é melindrosa a visão da arrogância universitária quase juvenil do ser humano tresloucado.  Um ser humano perdido em si, que não reconhece a sua própria condição humana, é certamente o objeto que merece o meu amor mais puro, o perdão mais bonito, o sorriso mais leve, o abraço mais carinhoso, o bom dia mais afetuoso, e as minhas melhores preces de luz.

– Nunca te passou pela cabeça que toda esta confusão em que te encontras é só falta de amor?

G.

É possível, se eu quiser…

*Somos todas puritanas.
Publicado em @ladiesstrongs, curte lá!

É possível que eu te enquadre,
Meu Bem,
num quadro da parede,
ao lado meu,
ou num artigo de lei…
Sabes, não és um rei e
não tenho interesse de
fazer parte do teu harém.
Não tenho medo de queimar,
arder em chamas, delirar,
ser pimenta intensa,

agridoce…

Meu signo solar é água,
meu planeta Plutão,
o que não me falta é
percepção, perjúrio
e oração.

Lá, somos todos pagãos,
em prece ou não.

Meu corpo, porém,
foi desenhado para
ser livre,
autônomo,
individual.

Meu…

E, sendo meu,
somente será teu
se
Eu quiser.

G.

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