Ímpeto

Abriu a janela
no ímpeto
e ceifou raivosamente
aquela fonte de afeto
de onde só jorrava
uma água cristalina
de amor.

Por que… ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
…tanta dor
num coração
É capaz de anestesiar
a mais pura capacidade
de amar?

O medo é a letargia
de um sentimento
que transforma
fonte limpa
em poço escuro.

Abriu a janela
defenestrou
não amou
não se deixou ser amada… ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Para mim,
a cura
a esperança
do perdão.

@g.so.g

Meu Clarão

MEU CLARÃO

Só consegui escrever este poema
hoje, depois de um tempo te vendo
distante, porque desde o primeiro
dia em que escreveste – Oh! – já senti que
não era só uma interjeição virtual e
que deste simples – Oh! – nasceria
algo mais do que apenas uma poesia
lida às pressas por ti e escrita com
calma por mim enquanto eu olhava
para a tua foto e enxergava uma luz
bonita que te envolvia e em mim
refletia a primeira camada de tua
aura fulgurante – Oh! Será que sabes
quanta luz há em teus olhos de menino,
meu clarão?

G.

Túneis de mim

Meu coração vive
em desalinho com
as estradas que
tenho percorrido
durante anos de
buscas sem sentido
por títulos infinitos
que só esvaziam e nada
preenchem.
Meu coração é a minha
estrada, não fui feita
para andar em linha reta
num sentido só, respeitando
a sinalização externa.

Meus sinais, meus freios,
meus limites são interiores.
Ultrapasso-me, mas não me
desrespeito…

Vivo entre os túneis de mim
nos meus subterrâneos
de eremita.

G.

Pare!

Pare de pensar que o mundo
conspira contra ti.
Pare de enxergar o outro como
teu perseguidor, inimigo,
“Stalker”, julgador.
Pare de fugir do afeto que te ofertam.
Pare de fingir que não sente,
porque teus olhos
não mentem
e tua voz,
doce deleite,
te denúncia sensível,
homem bonito,
cheio de luz.

Pare!

Pare de segurar essa vontade de amar
e caminhe em direção ao encontro com
a vida, confiante de que
a tua sabedoria interior
te permite dar e receber amor,
ajuda, proteção, generosidade,
bondade e compassividade
com todos os que cruzam
o teu caminho.
Não espere o tempo passar
para buscar os olhos do teu irmão
e os abraços de tua mãe
e, se possível,
estenda estas mesmas ações
aos teus semelhantes
que esperam pela tua compaixão,
pois são donos da mesma
imperfeição que habita a
tua condição demasiadamente
humana.

G.

Raízes da Dor

Eu queria arrancar
todas estas raízes
que plantaste
e
vingaram profundamente
dentro de mim
invadindo todos os espaços
ocupando meu coração,
sufocando os meus pulmões,
preenchendo a boca do meu
estômago de fúria,
metade amor, metade dor…

Ainda não sei te dizer
o que mais dói: arrancar-te
daqui ou deixar-te invadir
até alcançar as minhas artérias.

Ainda não sei de que forma tu
conseguiste sumir e ao mesmo
tempo ainda estar aqui crescendo,
crescendo, crescendo…
e eu morrendo
não me rendo
de tanto amor
que há em mim.

As raízes profundas
que sustentam a envergadura
são as mesmas que causam a
rachadura
no esteio
onde eu
coloco
os meus pés.

G.

Sem fim

Por que vieste me roubar num
dia de janeiro solitário em
que eu me encontrava em paz com
meus livros, incensos, xícara de
café, Evangelho e silêncio?

Desde este dia não pertenço mais
ao meu Eu, nem Eu sou, nem Eu
sei onde estou, não sei nem para
onde vou. Por que me assaltaste
assim tirando de mim aquilo que
sempre foi somente meu?

Nunca dei meu coração.
Nunca abri a minha emoção.
Nunca senti tanta comoção.
Nunca vivi uma alucinação.
Nunca fiz declaração de amor…

…antes de tu me roubares de mim.

Só compreendi o que é o amor
depois de ti.
Por favor,
devolva-me,
mas não estabeleça
um
fim.

G.