Caminho nas linhas

A mulher me disse que
na palma de minhas mãos
estava a linha da vida, a
linha do destino, a linha
da minha genética, a linha.
Eu olhei para a mulher e
a escutei dizer que o tempo
é o senhor da razão, que no meio
de tantas linhas pode haver um
encontro, que no meio de um
encontro pode haver um afeto,
que no meio de um afeto pode
haver um amor, que no meio de
um amor sempre há um perdão…
A mulher me falou de esperanças.
Eu sou uma mulher
e caminho nas linhas
da esperança.

G.

Jasmim e Mel de Kamadeva

[Este é um dos poemas que estará na “Antologia Poética Alma e Coração – Volume II”]

Como se estivéssemos perdidos,
nos encontramos e nos reconhecemos
pela luz de nossas auras azuis, quase roxas,
e pelo profundo olhar de nossas palavras
trocadas com sensibilidade e sintonia de mistério.
Será que fomos escolhidos pelos anjos luminosos
que cuidam dos bosques de flores de jasmim,
que nascem pontualmente na lua rosa do fim
de abril de uma quarta-feira?
Parece brincadeira que o meu amor mais verdadeiro
tenha aflorado assim, de noite, de longe, por dentro
desse sonho quase profético, na casa-coração de
uma mulher verde, que reside em mim.
Sofremos juntos da mesma eloquência e doçura
que nos salva e nos sufoca.
Vivemos em comunhão essa busca incessante pelo
conhecimento de um amor antigo, maior que nós,
imenso no mundo, nos olhos de Deus.
Em proporções divididas, enxergamos os
Céus de Santa Clara, que nos protegem em
nossas sincronicidades coincidentes e redundantes.
Já viajamos juntos, fora do corpo, em luz astral.
Já estivemos conectados em outras redes,
em outros planos.
Será que estou tão errada por sentir o gosto do
mel de abelhas e a fragrância delicada das cinco
flores do arco e flecha de Kamadeva?
Fico esperando a tua permissão para sentir o
que sinto, mas não tenho prudência para experimentar
sentimentos tão à flor da pele, porque brotam pelos poros
tão gratuitamente, nesse mundo de afetos
tão capitalizados.
Sentimos nossas distâncias tão presentes…
Desculpe-me por minha limitação em não entender
nossos desencontros, e, por insistir em te lembrar –
que te amo – com a suavidade de um elefante colorido,
que transita, discretamente, pelas ruas de Jaipur…
Na verdade, só comecei a escrever estas palavras
para saber se nos encontraremos, ainda, nesta existência,
debaixo daquele sol que ilumina a capa do teu livro,
e, que me trouxe a libélula azul, com as asas cintilantes
mais linda que já vi, só para me dizer que a vida é boa
e merece o nosso Amor.
Na dúvida, minha e tua, escolhi Amar sem retorno
(teu e do mundo).
Eu pensei em escrever fim, mas este é só o início.

G.
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Recomeçar

A cura de nossas dores
rancores, mágoas, a cura
de nossa alma ferida só
começará a dar os primeiros
sinais de alívio
no dia em que retribuirmos
os afetos que recebemos e
pararmos de reagir às ofensas
e agressões…
Recomeçar!
Recomeço a escrever,
escrevo o recomeço
escrevo por amor.

G.

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